ALFABETIZAÇÃO NA 3ª OU 4ª IDADE
É um facto. Toda a gente gosta de saber ler e, uns tiveram a sorte de aprender esta arte em pequeninos, outros não, o que não quer dizer que não sejam igualmente válidos e inteligentes e sabedores.
É o caso. A Virgínia tem hoje oitenta e seis primaveras (faz anos em Abril!…), nasceu na fresca Serra de Monchique e depois de viúva, veio morar para Portimão onde assiduamente visita o Centro de Convívio Sénior de Portimão e procura aprender a ler cada vez melhor.
É dela ou da memória dela que retirei esta história:
Amor nas profundezas do mar-
A pata-roxa e o salmonete
A pata-roxa olhava enlevada a cor rósea e dourada do salmonete que se movia em volta de si com uma elegância sem limites. Mas, apercebia-se que o salmonete era peixe fino e não estaria aberto aos seus madrigais. Para mais, mandavam as regras que sendo o salmonete o macho, deveria ser ele a tomar a iniciativa.
A pata-roxa bem fazia olhinhos mortiços., bem se saracoteava na sua frente mas não passava disso. Não podia fazer mais para não ser criticada pelos outros peixes.
Mas, um dia, há sempre um dia, o salmonete lindo, rosado e brilhante reparou naquela muda adoração da pata-roxa, aproximou-se dela, provocando-a e, tanto se aproximou que a tocou e aí, foi o fim.
-Credo, menina, tens a pele mais áspera que já toquei. Olha, despe-te, que assim, ninguém te quer.
A pata-roxa ia morrendo de desgosto. Daí para a frente, nunca mais se aproximou do salmonete e sofreu angustiada a ofensa recebida. Secretamente, desejava desfazer-se daquela pele áspera que era impedimento para a consumação do seu amor pelo salmonete que fugia dela com todas as barbatanas.
É por isso que, a pobre da pata-roxa mesmo morta, é esfolada para servir de alimento aos humanos.
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