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QUANDO ME TORNEI INVISÍVEL

 

Não, deveríamos envelhecer, quando chegássemos aos 50/60 anos a gente dormia para nunca mais acordar neste planeta, para não sermos humilhados quando mais precisamos de atenção, compreensão e carinho...

Já não sei em que data estamos, nesta casa não há folhinhas, e na minha memória tudo está revolto. As coisas antigas foram desaparecendo. E eu também fui apagando sem que ninguém se desse conta.
Quando a família cresceu, trocaram-me de quarto. Depois, passaram-me para outro menor ainda acompanhada das minhas netas, agora ocupo o anexo, no quintal de trás.
Prometeram-me mudar o vidro partido da janela, mas esqueceram-se. E nas noites, que por ali sopra um ventinho gelado aumentam mais as minhas dores reumáticas.

Um dia à tarde dei conta que a minha voz desapareceu. Quando falo, os meus filhos e netos não me respondem. Conversam sem olhar para mim, como se eu não estivessem com eles. Ás vezes digo algo, acreditando que apreciarão os meus conselhos, mas não me olham, nem me respondem, então retiro-me para o meu canto, antes de terminar a caneca de café. Faço isso para que compreendam que estou triste e para que me venham procurar e me peçam perdão...Mas ninguém vem . No dia seguinte disse lhes:
- Quando eu morrer, então sim vocês irão sentir a minha falta.E meu neto perguntou:
- Estás viva vó? (rindo)
Estive três dias a chorar no meu quarto, até que numa certa manhã, um dos netos entrou para guardar umas coisas velhas. Nem bom dia me deu foi então que me convenci de que sou invisível.
Uma vez os netos vieram dizer-me que iríamos passear ao campo. Fiquei muito feliz, fazia tanto tempo que não saía!

Fui a primeira a levantar, quis arrumar as coisas com calma, afinal nós velhos somos mais lentos, assim arranjei-me a tempo de não atrasá-los. Em pouco tempo, todos entravam e saíam correndo da casa, atirando bolas e brinquedos para o carro.
Eu já estava pronta e muito alegre, parei na porta e fiquei à espera. Quando se foram embora, compreendi que eu não estava convidada, talvez porque não cabia no carro. Senti que o coração encolhia e o queixo tremia, como alguém que tinha vontade de chorar. Eu os entendo, são jovens, riem, sonham, se abraçam, se beijam e eu e eu.... Antes beijava os meus netos, adorava tê-los nos braços, como se fossem meus. E até cantava canções de embalar que tinha esquecido. Mas um dia...

Um dia a minha neta que acabava de ter um bébé me disse que não era bom que os velhos beijassem os bébés por questões de saúde. Desde então, não me aproximo mais deles, tenho tanto medo de contagia-los! Eu não tenho magoa deles, eu perdoo a todos, porque que culpa têm eles, de que eu tenha me tornado invisível?
Abraços e Paz!

Texto original - "El dia que me volvi invisible"
Autora - Silvia Castillejon Peral - Cidade do México – 2002

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São João

Antecipadamente
agradeço a vossa
especial atenção,
 
Que certamente
farão o favor de
me dispensar,
 
Mais uma vez pôs
a Minha memória
a trabalhar.
 
Inventei alguns
poemas, desta
vez dedicados ao
São João,
 
Ó meu rico São
João
 
Tu és o padroeiro
 
Se tens bom
coração
 
Não me deixes
ficar sem
dinheiro
 
Tu és o santo
mais antigo
 
E mais rico em 
tradições
 
És protetor do
majerico
 
E de outras 
produções
 
O alho-porro ficou
na história
 
Substituindo pelo
martelinho
 
Quem tiver boa
memória
 
Sabe que não
subscrevo
sozinho
 
Na manhã de São
João
 
Antes de nascer
o sol
 
Quase toda a
população
 
Tomava banho de
água benta
 
Porque o banho
era o mais são
 
Durava todo o
Ano
 
E curava
qualquer doença
 
Segundo reza a 
tradição
 
Nas Câmaras
Municipais
 
Eram tomadas 
Decisão
 
quem as ia 
representar mais
 
Na sua
governação
 
Há vnoite
poleava-se a 
fogueira
 
Comia-se
sardinha assada
 
Durava a noite
inteira
 
Só acabava de 
Madrugada
 
Ainda hoje tenho 
saudades
 
Como era o dia
de São João
antigamente
 
Perdeu-se certas 
atividades 
 
que se vivia 
intensamente
 
Muito mais havia 
Para dizer,
 
Peço desculpa do 
tempo que lhes roubei
 
Par mim foi um
prazer
 
declamar o que
inventei.
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